7 de março de 2006

A Razão da Palavra do Senhor

palavra do senhor
Falei ontem brevemente na polémica existente em torno da Palavra do Senhor, e hoje vou aprofundá-la um pouco mais.
Quando Jesus fez a sua série de workshops com os 12 apóstolos deu-lhes instruções para que, após a sua morte por crucificação e empalamento, corressem o mundo e difundissem a Palavra do Senhor. Azar dos azares, Jesus nunca conseguiu dar o último módulo do workshop dedicado a «Coisas Que Devemos Dizer Para Arranjar Mais Sócios». Falou-lhes dos Milagres, falou-lhes do Céu & Inferno, falou-lhes na Vida Eterna mas, quando ia falar na Palavra do Senhor, um destacamento de romanos entrou-lhe pelo auditório adentro (o Judas havia-se chibado por não estar de acordo com as propinas do workshop) e levaram-no, e crucificaram-no, e empalaram-no. E finito. O tipo morreu sem dizer concretamente que Palavra era aquela.
Os apóstolos ainda tentaram fazer um brainstorming, com os conhecimentos adquiridos até à data, de modo a conseguirem chegar a algo que se assemelhasse ao que eles achavam que seria a Palavra do Senhor, mas tirando aquela cena da ressuscitação (onde todos estavam de acordo que era uma história do caraças e que merecia ser contada), não conseguiram chegar uma conclusão sobre qual seria a Palavra do Senhor. E assim cada um deles foi à sua vida escrever e pregar sobre a sua visão de Deus e de Jesus, e cada um deles achou que sabia qual era a Palavra do Senhor.
Pedro, João e Tiago (o Maior) achavam que a Palavra do Senhor era «rabanete». Chegaram a esta conclusão depois de terem proferido uma série de outras palavras. Na altura em que proferiram «rabanete» aconteceram umas coisas esquisitas: a terra tremeu, a garrafa de vinho caiu de pé, e os cães começaram a uivar. E a partir daí, desconhecedores da escala de Richter, acharam que tinham descoberto a Palavra.
Filipe, Bartolomeu e Tomé haviam decidido que a Palavra era «Oréops!», mas só porque gostavam da sua sonoridade, dado que não há qualquer registo que algum fenómeno natural tenha ocorrido quando esta foi inicialmente pronunciada. Tomé era aquele que a usava mais, principalmente quando treinava o seu triplo salto encarpado de costas, nas margens do Mar Morto.
Tiago (o Menor), Mateus e Judas Tadeu, eram apologistas fervorosos da Palavra «Porra», a última palavra que ouviram da boca de Jesus. Achavam que não era uma simples interjeição nascida da sua inconfortável posição na cruz. Acreditavam piamente que se aquela foi a última palavra de Jesus, é porque aquilo devia ter um segundo sentido qualquer. Um sentido celestial.

Finalmente, os dois apóstolos mais radicais, André e Simão tinham «zingarelho» como a verdadeira Palavra do Senhor. Tinham-na ouvido da boca de Maria Madalena quando pela primeira vez recorreram aos seus serviços. Ela apontou para as tripas de porco e disse-lhes: «ponham lá os zingarelhos, que isto não é da Joana». Depois dos zingarelhos postos Maria Madalena deu-lhes uma experiência celestial que eles nunca mais esqueceriam. E desde aí a Palavra do Senhor passou a ser um grande «zingarelho». Bem... no caso de Simão nem era tão grande como isso.

6 de março de 2006

A Razão do Limbo (I)

limbo (I)
O recém chegado Papa Bento XVI convocou, no início do ano, uma comissão de trinta teólogos com o objectivo de acabar com o Limbo. Para quem está menos informado sobre a arquitectura do edificio celeste, o Limbo é aquele andar entre o Céu e o Inferno, para onde vão as almas de todas crianças, bébés e fetos que morrem sem que tenham sido baptizados. O Limbo, que existia desde o século IV, altura em que São Gregório, o Teólogo, decidiu construir uma mezzanine no Inferno, passou a ser levado a sério depois de umas obras de restauro levadas a cabo por São Tomás de Aquino no século XIII, altura em que ganhou um estatuto de assoalhada (muito embora o seu pé direito fosse muito reduzido, dado que foi espaço ganho ao inferno, nunca ninguém se preocupou muito com isso porque as crianças nunca atingiam alturas acima do metro e meio). No início do século passado, o Papa Pio X garantiu a pés juntos que o Limbo existia e que as almas das crianças não baptizadas estavam lá – tendo apresentado na altura vários dossiers com os nomes e idades dos residentes.
A existência do Limbo nunca foi pacífica, dado que era considerada um regime de apartheid celestial: uma criança índia que nascesse e morresse no meio da selva sem nunca ter ouvido a Palavra do Senhor (muitos consideram que essa palavra é «rabanete», embora ninguém esteja muito certo disso, havendo uma escola mais radical que afirma que a palavra é «zingarelho») nunca teria possibilidade de chegar ao Céu, e o mais que podia era candidatar-se a um lugar no Limbo, simplesmente porque o canal de distribuíção da Igreja não fazia entregas naquela zona da sua selva. Uma escandaleira discriminatória, como bem se vê.
Foi exactamente este princípio de apartheid que levou o Papa Bento XVI a rever a existência do Limbo e a iniciar a sua extinção, o que irá tornar as coisas mais complicadas doravante uma vez que, sem o Limbo, os católicos e os membros de uma série de outras religiões irão concorrer em pé de igualdade por vagas nos mesmo lugares – Céu, Inferno e Purgatório. E sabe Deus como estes dois últimos estão lotados...

Entretanto os 30 teólogos estão reunidos à procura de soluções para acabar com o Limbo e realocar aquelas alminhas. Espera-se que na próxima sexta-feira apresentem ao Papa um pacote de medidas, que terei oportunidade de revelar em primeira mão, aqui na Razão.

5 de março de 2006

A Razão da Morte Súbita

morte subita
Não seria interessante se a única forma de morte possível fosse uma explosão súbita da cabeça? Se não houvessem outras formas de morte? Se toda a gente morresse assim? Mais cedo ou mais tarde, sem aviso, a nossa cabeça explodia. Sabem o que eu acho? Acho que as pessoas acabariam por habituar-se. Acho que as pessoas aprendem a lidar com tudo se acharem que é inevitável.
Imaginem um bando de tipos a cantar «Parabéns a Você».
«... cantam as nossas almas; para o menino Carlitos, uma salva de...» BUM! A cabeça do Carlitos explode. Mas as velas do bolo são apagadas de qualquer forma, por isso o ritual está completo e toda a gente aplaude.
Claro que teria de haver o contratempo ocasional. «Outra cabeça? Ora bolas! Já é a segunda esta semana. Ainda mandei limpar o fato há pouco tempo». Mas aprenderíamos a lidar com isso.
Imaginem que estão sentados num restaurante com a vossa namorada e o empregado está a ditar-vos os pratos do dia: «Hoje temos os mamilos de morcego marinados num molho de rabos de panda...» BUM! A cabeça do empregado explode. Aposto que nem iam ligar.
«Querida, ele disse mamilos de morcego ou de borrego? É melhor chamarmos outro empregado. E pedir mais azeitonas. Não vou comer estas. Ele tinha o prato na mão quando explodiu. Sou alérgico a mamilos de morcego. Acho que vou pedir a pila de pinguim à casa ou a caçarola de tomates de alce. Então e tu? Espera, não te mexas. Tens um bocado de sobrancelha na bochecha. Pronto, já está. Já agora, querida, que vinho vai bem com miolos?»


George Carlin

4 de março de 2006

A Razão da Picheleira

picheleira
Li recentemente que um homem foi esfaqueado na zona da Picheleira. Não é nada agradável, deixem-me que vos diga: uma vez fui mordido por um cão na mesma zona. Dói que se farta! Principalmente quando vamos à casa de banho.

Adaptado de George Carlin


3 de março de 2006

A Razão das coisas que se dizem

coisas q se dizem
Dizem que se a vida fosse feita só feita de
sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto, sexo, coisas como sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto, deixariam de ser coisas tão boas como nós sabemos que é o sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto, e embora eu saiba que para algumas pessoas a vida é só feita de sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto, não quero que ao lerem este post passem a pensar que tudo na vida é sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto. Agora se apenas uma vez por semana vocês puderem fingir que a vida só feita de sexo, bons restaurantes, motos potentes, mulheres esculturais, boa música, estreias, vida nocturna excitante, peças de arte, sexo, perfumes caros, alta costura, gente famosa, lugares paradisíacos, hotéis famosos, sexo, pret-à-porter, casas fantásticas, top models, sexo, desporto, aventura, futebol, erotismo, barcos velozes, pessoas bonitas, férias exóticas, gente inteligente, boas oportunidades, modelos sexy, museus interessantes, fins-de-semana, conversas interessantes, sexo, fotografias excepcionais, paisagens espectaculares, sexo, moda, praias desertas, circuitos solitários, sexo, saldos únicos, boa literatura, filmes de culto, sexo... não tem mal nenhum.

2 de março de 2006

A Razão das Coisas Boas

coisas boas
Dizem que a vida seria magnífica se fosse feita de coisas boas. Mas todos sabemos que para além das coisas boas a vida tem outras coisas. Se a vida fosse só feita de coisas boas, coisas como as coisas boas deixariam de ser tão boas como nós sabemos que são as coisas boas. Agora embora eu saiba que para algumas pessoas a vida é só feita por coisas boas, não quero que ao lerem este post passem a pensar que tudo na vida são coisas boas. Mas se apenas de vez em quando puderem fingir que a vida é só feita de coisas boas... não tem mal nenhum.

1 de março de 2006

A Razão de Lorena Bobbit

lorena bobbit
«Não se pode comer o bolo e ficar com as partes». É estúpida a frase, não é? E ilógica também. Qual é a relação das partes com o bolo? Porque raio é que havemos de ficar sem as partes se comermos o bolo? Lembro-me da Lorena Bobbit sempre que ouço esta frase. Imagino-me a dar uma dentada na fatia de um bolo e a aparecer-me uma gaja alucinada com uma tesoura de poda nas mãos a querer tirar-me as partes.
Quem criou esta frase tem graves problemas.