25 de agosto de 2005

A Razão Abstracta

abstracta
Os portugueses são um povo com uma elevada taxa de iliteracia numérica, segundo consta em relatórios da Comunidade Europeia. Não somos grande coisa a fazer contas, o que aliás não é novidade nenhuma: basta olhar para o estado do déficit e do Orçamento Geral do Estado, ano após ano. Mas um recente estudo publicado por um «Instituto da Inteligência» vem retirar toda e qualquer esperança que esta situação venha a mudar nas próximas gerações. Diz este reputado instituto que a habilidade para a Matemática explica-se por estruturas cerebrais e mentais, determinadas por factores genéticos e hereditários. Em suma, não estamos geneticamente preparados para fazer grandes esforços mentais, nem para pensar no abstracto. Talvez o melhor seja encomendar o próximo estudo ao «Instituto da Estupidez».
Não sendo um povo vocacionado para o pensamento abstracto, resta aos portugueses o pensamento concreto. Seremos então geneticamente vocacionados para aquilo que é concreto? Pela lógica, se não somos uma coisa deveríamos ser outra, mas a lógica é algo que pertence ao domínio da matemática que, como vimos, não é o nosso campeonato.
Estava a pensar nisto em abstracto quando comecei a procurar exemplos concretos que pudessem demonstrar que compensamos a nossa falta de abstracção com coisas muitos concretas. E muito concretamente o que achei não foi nada animador.
Acho que mais vale abstraír-me destas questões concretas...

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