9 de outubro de 2006

A Razão Casapiómana

casapiómana


Frederico Pedrosa, perito do Instituto de Medicina Legal, negou que as manchas do pénis de Carlos Cruz possam, em erecção, chegar ao tamanho de uma moeda de um cêntimo, como disse uma das vítimas.

in Revista Sábado, 4.Out.2006

Fui surpreendido por esta pequena notícia no fim de semana. Aparentemente há uma criatura no IML que andou a medir manchas no pénis erecto de Carlos Cruz. Estão a ver como há trabalhos muito mais miseráveis que o vosso? Naqueles dias que estiverem fartos do vosso patrão lembrem-se que poderiam estar a medir manchas em pilas num sítio qualquer.
O lado interessante desta notícia não é a peritagem do Frederico Pedrosa mas sim o que esta sugere: aparentemente houve uma vítima de pedofilia que afirmou que o Carlos Cruz tinha manchas no pénis e que estas tinham «o diâmetro de uma moeda de um cêntimo». Vem-se agora a provar que a vítima não tinha razão nenhuma, o que provavelmente vai conduzir à impugnação do seu testemunho por falta de prova. Não interessa nada que Carlos Cruz tenha manchas no pénis – algo que é tão vulgar como ter impresso no pénis a última tentativa de romance de Margarida Rebelo Pinto. O que interessa é que a dimensão das manchas não corresponde milimetricamente à verdade. Aliás, se as manchas tivessem o diâmetro de moedas de dois euros a vítima estaria lixada na mesma porque, no fim do dia, o processo Casa Pia terminará, à conta destes pequenos expedientes de pacotilha, sem vítimas nem acusados, provando uma vez mais a ineficácia e o engajamento do sistema de justiça português.
Casapiano e casapiómano significarão, no fim desta fantochada digna da nossa telenovela mexicana, exactamente a mesma coisa. Para mal dos primeiros.

Sem comentários:

Enviar um comentário