18 de novembro de 2005

A Razão do Mictório

mictorio
A casa de banho é um dos locais mais importantes no dia a dia de uma pessoa. Sendo assim, porque raio é que os arquitectos não prestam mais atenção quando definem o espaço, e os elementos que lá são colocados?
Quem desenha os mictórios? Tenho a certeza absoluta que é uma mulher com recalcamentos: gostava de atingir o grau máximo da emancipação e fazer desenhos na parede (leia-se mijar de pé).
Todos sabemos qual é a função do mictório, albergar o líquido e não deixar que nada saia cá para fora. A forma como estes objectos são desenhados está longe de ser a ideal, porque quando tiramos a mangueira cá para fora e fazemos mira para os buraquinhos – o objectivo destes é de escoamento – começam a saltar pingas por todo o lado; se tentamos acertar nas paredes o resultado é o mesmo e as formas curvas, que tem como função evitar que haja ressalto do líquido, são feitas de forma a provocar o efeito contrário ao desejado.
Dizem que se deve lavar as mãos quando se vai à casa de banho, cá para mim devia haver uma muda de roupa e um chuveiro, pelo menos para os homens.
Se vamos para os urinóis de design ainda é pior. Quem é que no seu perfeito juízo faz urinóis planos?! É como mijar para a parede mas é bem pior. Quando mijamos para a parede podemos escolher a parede, a distância e evitamos mijar para os pés. Este tipo de receptáculo é feito de propósito para acertarmos nos pés. A distância à parede é mínima e o resguardo para os sapatos também. Resultado, se não acertamos nos pés é nas pernas.
Este tipo é encontrado nos bares e discotecas e por vezes tem uma cortina de água a correr constantemente o que não abona em nada para a poupança do líquido precioso.
As divisórias dos mictórios não são bem planeadas. Todos já tivemos a sensação de ter alguém ao nosso lado a lançar um olhar métrico sobre o nosso material. As divisórias deviam ser mais altas, não custava nada. Isto faz-me duvidar da orientação sexual dos arquitectos… A dimensão das divisórias é insuficiente. É desconfortável ter que “mudar a água às azeitonas” ombro com ombro com um desconhecido.
E como se isto não bastasse, estamos ameaçados de outra forma, mas só agora é que tomamos consciência disso: a gripe das aves! Estamos tranquilamente a “tirar a água do joelho” e, em pânico, vemos um pato, já na fase terminal da doença (apresenta-se nas cores azul e nos casos mais graves verde), a poucos centímetros do nosso joystick. Contrair a doença por esse canal não deve ser nada agradável.

Um post de Miguel de Terceleiros em exclusivo para a Razão.

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