29 de dezembro de 2006

A Razão da Reflexão

reflexão
Estamos naquela altura em que muito boa gente aproveita para fazer uma reflexão sobre aquilo que fez nos últimos doze meses. Uma espécie de post mortem de curto prazo da sua existência. Confesso que não percebo este fascínio da reflexão. É como fazer a autópsia de um tipo que tenha sido atropelado por um camião de oito rodados: sabemos que o indivíduo está morto e que as probabilidades de este continuar a descontar para o IRS são muito reduzidas (felizardo!); portanto é-nos perfeitamente indiferente se a sua morte se deveu a uma perfuração dos pulmões ou se simplesmente o cérebro deixou de funcionar depois de ter experienciado oito toneladas a passar-lhe por cima. Por mais autópsias que lhe façam o resultado final é que o tipo já não cantará a Traviatta, por mais que lhe apeteça. É como as reflexões de fim de ano. Por mais que a malta reflicta, o ano passou e já não volta. Por mais que isso vos custe, é a pura das verdades.
Se querem reflectir sobre a vossa existência não o façam agora, façam-nos todos os dias. A melhor altura para uma reflexão existencial são as manhãs. Vocês acordam, meio estremunhados, cabelo desgrenhado, com um hálito desgraçado, e vão para a casa de banho olhar para a vossa reflexão no espelho. Se depois desta experiência ainda acharem que a vossa existência vale a pena, então continuem, diariamente, a fazer este tipo de reflexão. Para aqueles que não gostam de uma reflexão tão crua, recomendo a reflexão de vitrine: a reflexão de vitrine serve para todos os que não aguentam a reflexão matinal. Consiste em reflectir na montra do banco mais próximo de casa. Tem a vantagem de não se toparem as imperfeições na pele, nem as rugas de expressão, nem os pontos negros. O que não quer dizer que não estejam lá. Mas que se lixe, é apenas uma reflexão.


Para todos os que reflectiram neste último minuto comigo (a olhar para a vossa reflexão no écran do vosso PC), votos de um grande 2007. Perguntar-me-ão se grande implicará que o ano tenha mais dias. Responder-vos-ei que, tal como as reflexões, o ano tem os dias que quisermos. Sejam felizes.

21 de dezembro de 2006

A Razão da Linha do Norte

linha do norte
O Tribunal de Contas produziu recentemente um relatório sobre a modernização da linha dos Caminhos de Ferro do Norte, obra da REFER que dura há 10 anos e cuja conclusão não está à vista.
No relatório do TC vemos que até hoje foram GASTOS mil milhões de euros, ou seja, mais 20% do que estava inicialmente estimado para esta obra. Por aqui podemos ver que as comissões encapotadas já ultrapassaram em muito os 10% habituais...
O relatório revela ainda que existiram empreitadas que foram adjudicadas depois de terem sido realizadas (?), e que se teriam poupado quinze milhões de euros se tivessem sido escolhidas as propostas mais competitivas.
O relatório do Tribunal de Contas revela, em suma, a incapacidade e falta de transparência da REFER nesta obra pública, realizada (como outras tantas) à custa dos contribuintes.
Mas a parte mais divertida do relatório está na sua conclusão: nela, o Tribunal de Contas recomenda que, de futuro, a REFER controle melhor os seus custos.
Mas que merda de conclusão é esta? É para isto que serve um relatório do Tribunal de Contas? Então estes gajos concluem que a malta da REFER anda a roubar à grande e à francesa nos últimos dez anos e a única coisa que fazem é dizer para os meninos terem mais cuidado a roubar?? E que tal demitirem toda a administração da REFER? E que tal prendê-los por gestão danosa de dinheiros públicos? E que tal contratar uma tribo somali fresquinha para alargar o esfíncter de cada membro do conselho de administração?

20 de dezembro de 2006

A Razão dos Lambe-Cus


A humanidade divide-se em dois géneros, para além dos meninos e das meninas: há os lambe-cus, e há aqueles cujas papilas gustativas não toleram o confronto sensorial directo com o streptococus vulgaris. A divisão não é equitativa. Os lambe-cus são, nitidamente, a maioria vigente.
Está veladamente convencionado nesta sociedade que «lamber um cu diariamente, garante um futuro polivalente». É uma forma de investimento a prazo.
Quem lambe um cu está convencido que, embora o sabor não seja nada por aí além, a coisa vale o esforço que daí advém. O cu lambido é normalmente grato, e o acto de lambecuzice raramente fica em cu alheio.
É importante referir que, para quem lambe cus, é perfeitamente indiferente o cu que está a lamber. É uma questão de fé que roça os critérios dos apostadores de cavalos: só se lambe um cu porque se tem fé que esse cu vale a pena lamber, porque vai dar algo a ganhar.
Lamber cus é um acto de fé completamente enviezado. Daí que seja extremamente fácil desatar a lamber outro cu qualquer, por dá cá aquela palha.
Para o lambe-cus, paradoxalmente, o importante não é lamber um cu em particular. É a aleatoriedade da coisa que dá riqueza ao acto e que aumenta a possibilidade de, um dia, deixar de lamber cus para ter o seu próprio cu lambido. Daí que se lambam cus de muitos quadrantes e de variadas influências. O cu é uma lotaria. Nunca se sabe ao certo qual é o que dá prémio. Portanto o lema é lamber indiscriminadamente.
É por essas e por outras que existe aquele ditado: «Quem tem cu tem medo». E se não tem, devia ter.

16 de dezembro de 2006

A Razão Tipo Serra

tipo serra
Tipo é uma daquelas palavras da treta a que é preciso prestar atenção. Sempre que virem a palavra «tipo» anexada a outra palavra qualquer, alguém vos está a aldrabar. «Charcutaria do tipo nova-iorquino?». Sabem porque lhe chamam isto? Porque não fica em Nova Iorque. É só por isso. Provavelmente, fica em Kekanal no Egipto, o dono é do Ruanda e a comida sabe a qualquer coisa que os Hutus dariam aos Tutsis para comer.
Outro uso da palavra «tipo» pode ser encontrada em «restaurantes do tipo familiar». O que quer dizer é que, em cada mesa, há gente a discutir. E o filho mais velho anda a espancar mulheres. É uma coisa de «tipo familiar», percebem?

George Carlin

13 de dezembro de 2006

A Razão da Biografia Precoce


Confesso que nunca liguei muito às biografias como obras literárias. Nunca tive grande interesse em saber da vida dos outros, mesmo que estes fossem remotamente famosos ou que tivessem sido vagamente influentes no mundo. Acho que o interesse por uma biografia, qualquer que ela seja, não é muito diferente de encher as audiências de um canal que passe um Big Brother ou outro reality show qualquer. Com uma nuance: as biografias não têm metade da javardice porcalhota de um reality show. Normalmente contam-se sempre as partes dignas da vida de um dado indivíduo.

Sempre achei que a biografia era algo posterior à extrema unção: nunca me fez grande sentido uma biografia ser escrita enquanto o indivíduo ainda estava vivo. São uma espécie de morte antecipada por indivíduos que, se não estão fisicamente mortos, estão-no certamente a nivel social ou político. É o caso da Carolina do alterne e do Santana sem alternativas. Esta mania nacional recente de se publicarem livros a explicar que «se a minha avó tivesse rodas seria um camião de oito rodados» é, no mínimo, reveladora de uma pobreza intelectual incapaz de avaliar o rídiculo de todo o esforço editorial que tiveram para publicar aquelas verdadeiras bostas. Podemos tirar a mulher do alterne e o homem da politiquice, mas infelizmente não podemos tirar o alterne da mulher nem a politiquice do homem.

12 de dezembro de 2006

A Razão do Mau Ambiente

mau ambiente
Se há um movimento mundial (para além dos escoteiros) que acho perfeitamente inconsequente é o Greenpeace. Na minha opinião o Greenpeace não passa de um grupo de putos malucos à procura de protagonismo radical e novas emoções, financiados por empresários nada malucos. Aliás, foi o Greenpeace que inventou o protagonismo radical e que tornou obsoletos os 15 minutos de fama que Andy Warhol vaticinou para o resto da humanidade. É que, no Greenpeace, qualquer um consegue ter 16 minutos de fama, antes de ser arpoado ao tentar defender uma baleia azul, ou sodomizado por uma tribo somali enquanto tenta evitar a extinção do papa-formigas de testículos dourados.
Se esta malta estivesse realmente interessada em defender o ambiente, instalaria o seu quartel general em Portugal. Não porque os portugueses são uns alarves a cumprir os objectivos de Quioto. Não porque os portugueses estragam, ano após ano, o seu próprio ambiente. Mas simplesmente porque este país TEM mau ambiente.
O Estado português é o grande causador deste mau ambiente e, no entanto, não vejo nenhum membro do Greenpeace a dar azo à sua histeria de protagonismo numa qualquer repartição de finanças deste país. A maioria das empresas portuguesas têm mau ambiente, mas não é por isso que vemos os putos malucos do Greenpeace a invadir as suas entradas com os seus destemidos barcos de borracha.
Isto não passa tudo de uma fantochada encenada em destinos turísticos inexplorados (e lindos) que, se não fosse financiada por lobbies insuspeitos, nunca seriam visitados por chavalos munta malukos e radikais, à procura deles próprios.