Todos têm o direito de ser estúpidos, mas há alguns que abusam desse privilégio.
Anónimo
Um dos mais recorrentes mitos femininos dos séculos XX e XXI é o príncipe encantado: quase sem excepção, elas querem acreditar com todas as suas forças que algures por aí anda o eleito, o gajo, o seu príncipe encantado. Como li há pouco tempo num blog que visito, andam todas à procura do seu respectivo Mr. Big (eufemismo feminino do príncipe encantado dos dias de hoje).
Eu não sei como vos hei-de dar esta notícia, meninas. Devo confessar que pensei numa forma mais ou menos doce de vos tornar a coisa o menos dolorosa possível. Mas não me ocorreu nenhuma. E então aqui vai:
No dia em que vocês forem sempre carinhosas, bem humoradas e gostosas; no dia em que estejam sempre deslumbrantes, atrevidas e deliciosamente maliciosas; no dia em que não ligarem ao facto dos gajos se esquecerem de datas; em que não usarem a dôr de cabeça como desculpa esfarrapada para um sem número de coisas; no dia em que a vossa TPM não vos transformar em neanderthais sanguinários; nesse dia, e somente apenas nesse dia, talvez encontrem o vosso príncipe encantado. Até lá contentem-se com o que há por não reunirem os mínimos olímpicos das histórias de fadas: um monte de príncipes desencantados.
Há gente que tem muito papel e gente que nem por isso, mas é certo e sabido que todos nós temos um papel. Nem sempre é o mesmo papel, dado que ele muda de pessoa para pessoa ou mesmo de ocasião para ocasião. Os políticos por exemplo têm um papelão, e à custa disso os contribuintes têm um papel de embrulho, estando sempre envolvidos numa grandessissima embrulhada.
O Governo desta novela mexicana pretende ter um papel higiénico, predispondo-se a limpar muita merda mas sujando-se muito rapidamente ao primeiro contacto com esta. Acabam por ter apenas um papel de parede.
Os nossos queridos e produtivos funcionários públicos alternam entre um papel vegetal (daqueles vegetais sem cadeira de rodas) e um papel pardo (daquele de enrolar chouriços), quando não estão a fazer o costumeiro papel de parvos. Alguns milhares deles preparam-se para brevemente terem um papel reciclado (normalmente um tipo de papel mais caro que o papel normal).
Os nossos jornalistas, como não podia deixar de ser, têm um papel de jornal, sendo bastante úteis em épocas do ano mais frias, para embrulhar castanhas e outro tipo de frutos secos.
O nosso jet seis esforça-se por ter um papel couché: não só porque é fino ter um papel com um nome francês, mas porque couché fica a meio caminho entre coucher e couchon, e eles sentem-se em casa.
Há ainda quem tenha um papel químico pela impossibilidade genética e incapacidade intelectual de ter um papel que não seja uma quase fotocópia de outro.
Mas do que eu gosto particularmente é do papel fotográfico da Soraia Chaves, e de outras modelitas nacionais, é um mimo vê-las a fazer pasta de papel.
De repente ficou tudo chocado ao ver os emigrantes portugueses serem implacavelmente recambiados do Canadá.
Qual é a surpresa?
Alguém foi ao engano para um país que, se repararem bem, é uma aliteração de «Cá Não Dá»?
Ninguém pode dizer que os gajos não avisaram.
«AGRADECEMOS QUE NÃO FUME». Falando por mim, não vejo nenhum problema na expressão «proibido fumar». É simples, é directa, é firme. Proibido fumar! Há perguntas? Óptimo.
Mas «agradecemos que não fume»? Em primeiro lugar é fraco. Em segundo lugar, por amor de Deus, estão a agradecer o quê? É como se achassem que vos estão a fazer um favor por não vos ajudarem a ter um cancro no pulmão.
Se eu estivesse a tentar desencorajar as pessoas de fumar, a minha placa seria ligeiramente diferente. Até era capaz de ir longe demais na direcção oposta. A minha placa diria qualquer coisa como: «Fume, se quiser. Mas se fumar prepare-se para isto: primeiro vamos confiscar-lhe o cigarro e apagá-lo algures na sua pele. Depois vamos enfiar os seus dedos manchados de nicotina numa trituradora de papel e atirá-los para a rua, onde cãos vadios vão comê-los e regurgitá-los para os esgotos para que as ratazanas possam ocupar-se deles antes de serem despejados para o mar com o resto da imundície da cidade. Depois disto vamos procurar os seus familiares e amigos, e dar cabo das vidas deles».
Não gostavam de ver uma placa assim? Aposto que muitos fumadores pensariam duas vezes antes de acender o cigarro perto de um placa destas. É preciso sermos directos. «Agradecemos que não fume» é pura e simplemente embaraçoso. Acho que toda esta linguagem simpática e eufemística é mais um sinal de que cada vez mais o nosso país não sabe a quantas anda.