Bob Thaves
9 de março de 2005
8 de março de 2005
Razões Recíprocas
Os cães olham-nos com docilidade.
Só os porcos nos olham como iguais.
Winston Churchill
7 de março de 2005
A Razão do Dôdô
4 de março de 2005
Razão Interrompida
A Razão vai deixar-vos. Não no sentido estrito do termo, claro (já estava a vislumbrar aí uns sorrisos cínicos nas caras de alguns professores leitores – desenganem-se queridos). A Razão vai deixar-vos até à Primavera porque vai recarregar baterias para um país mais quente. Ouvi dizer que se metermos as pilhas ao sol elas recarregam, e portanto vou experimentar.
Prófes, Jornalistas, Funcionários Públicos, Políticos, Advogados, Publicitários, e outras alimárias quejandas: descansem também. Dou-vos 15 diazitos.
Mais tarde, a 21 de Março, regressarei com os meus somalis que nem um polén lixado para vos entrar pelas narinas adentro, causar-vos algumas comichões e provocar-vos alguns espirros. Preparem os anti-estamínicos. Vão precisar deles.
Até à Primavera irão encontrar aqui outras Razões que não as minhas. Razões alheias. Mas ainda assim Razões para vos irem entretendo.
Agora se não se importam vou ali fazer o check-in, porque já estão a chamar para o vôo da Somália. Bem hajam!
3 de março de 2005
Razão Balnear
Os bébés não precisam de férias, mas ainda assim vejo imensos deles quando vou à praia. Costumo ir perto deles e perguntar-lhes: "O que estás aqui a fazer pá? Tu que nunca trabalhaste um único dia na tua vida!"
2 de março de 2005
A Razão do Aviador
Há uns dias fui alvo de um “pequeno poder” num balcão de check-in. Uma alimária de um empregado da TAP embirrou comigo por qualquer razão (até pensei que fosse um professor no desemprego que me tinha reconhecido) e obrigou-me a esvaziar a minha mala de cabine até esta perfazer o peso regulamentar admitido pela TAP. A coisa deu direito a uma reclamação por escrito ao competente CEO brasileiro da TAP e culminou com um pedido formal de desculpa do senhor, um repreensão (dizem eles) ao empregadeco empertigado, e uma borla em classe executiva numa das minhas próximas viagens.
Toda esta maçada desnecessária fez-me lembrar que nesta nossa telenovela mexicana o conceito de serviço é uma coisa tão remota como conseguirmos tomar um duche com a Monica Belucci. Em Portugal confunde-se serviço com servilismo, e portanto quando alguém presta um serviço a outrém, deixa bem claro que está ali para nos prestar um favor, e que só o fará se não o chatearmos muito e se fôr com a nossa cara. De quando em quando aparece um, como este infeliz da TAP, que gosta de mostrar que tem um qualquer poder magicamente conferido pela farda, pela espessura do balcão, ou pela etiqueta que ostenta na lapela.
Se existe uma palavra que confere o verdadeiro sentido de serviço em Portugal é “aviar”. Aqui não se servem os clientes, aviam-se. E logo, os indivíduos que desempenham esta função são os aviadores. Encontram-se normalmente atrás de um balcão, exibem a fronha nº32 (que significa “olha-me este agora quer que eu o sirva... tá bem abelha. Eu já te avio.”), arqueiam as sobrancelhas na vã tentativa de mostrar alguma superioridade, e colocam a voz num tom grave, arrastando as palavras em sinal de aborrecimento.
Estes javardolas sem brevet infestam repartições públicas, call centers, balcões de atendimento ao público, e aviam que nem uns leões! A arte lusitana do aviador só é diária e persistentemente exercida por uma única razão: porque nós deixamos...
1 de março de 2005
A Razão do Mal o Menos
“Do Mal o Menos” devia estar inscrito a ouro na nossa bandeira nacional (na parte verde para se ver melhor). Se há expressão que dita a mais íntima ambição do povo português desde que o Viriato andou a atirar calhaus do alto dos Montes Hermínios é a “do mal o menos”. Com um mote destes não é surpresa nenhuma que tenhamos chegado onde estamos hoje.
Esta foi a motivação de Afonso Henriques quando mandou um par de chapadas à mãe: se está ali um pedaço de terra que não interessa a ninguém, do mal o menos, afiambro-me a ele e chamo-lhe o pomposo nome de reino.
Foi o mote dos Descobrimentos (eu prefiro chamá-los Achamentos, mas deixo isso para uma Razão que há-de vir): se os espanhóis são o nosso tampão para a Europa, e qualquer tentativa de abrir caminho até aos feudos franceses está repleto de porrada com azeite quente à mistura, do mal o menos, faço-me ao mar e vou ali achar qualquer coisinha.
Foi a palavra de ordem de Dom Sebastião: já que me tenho que armar em parvo e não é politicamente correcto andar à porrada com os primos castelhanos, do mal o menos, vou aliviar a testosterona para Alcácer Quibir.
Foi o lema do gajo que se pirou para o Brasil com toda a corte quando se apercebeu que o Napoleão vinha tomar conta da loja: já que vou ter que experimentar o último modelo de guilhotina, do mal o menos, vou bronzear a minha corte para os trópicos.
Foi o mote do ditadorzinho cabotino e inteligente: já que transformei o país numa ostra ridícula e fechada ao progresso, do mal o menos, vou ali às colónias fingir que isto é uma metrópole do caraças.
É curioso como o “ do mal o menos” impeliu os gajos sempre em direcção ao mar, não é? Adiante...
Os capitães de Abril também adoptaram esta postura: já que nos pirámos dos quartéis sem autorização, e com este armamento pesado e obsoleto, do mal o menos, vamos tomar o poder porque voltar para trás é capaz de dar merda.
E assim por diante até há duas semanas atrás, quando o eleitorado teve que escolher entre o nada e o coisa nenhuma, do mal o menos, escolheu o coisa nenhuma.
Ponha-se a merda do mote na bandeira de uma vez por todas!
Subscrever:
Mensagens (Atom)