15 de fevereiro de 2005

Razões Geracionais

geracionais
A única coisa que a geração de 50 queria era esquecer-se da guerra e construir aquilo que tinha sido destruído pelos alucinados da geração anterior. E a coisa parecia simples e exequível. Mais despreocupada, a geração de 60, queria fumar umas ganzas, fornicar que nem martas e pôr em questão a autoridade e o sistema: as doses de LSD baralhavam-lhes a ordem de prioridades a ponto de eles não saberem se também queriam fornicar a autoridade, fumar as martas, e pôr em questão o sexo.
A geração de 70 nunca percebeu em que década é que estava: descambaram nuns baralhados crónicos que ainda hoje se tentam encontrar e deixam toda a gente perdida (vejam-se os exemplos de Sócrates, Santana, Portas e Louçã).
A geração de 80 deixou-se dessas merdas dos estupefacientes alucinogéneos, adoptou os de via nasal, esticou o cabelo com gel, segurou as calças com suspensórios e achou que ia dar um rumo a isto tudo, até que se lixou no crash bolsista de 87. Desapareceram de fininho que nem dinossauros. A geração de 90 criticou as gerações anteriores, mas não fez absolutamente nada que a marcasse como geração: foram uma espécie de híbridos atávicos a quem só faltava falar. A geração de 00 sofre de um estigma de si próprio: que contribuição é que alguém caracterizado por um duplo zero pode dar à sociedade? Não faço a mínima ideia... nem eles.

As minhas esperanças estão com a geração de 10. Estes têm todas as condições para 10pertar, 10envolver, 10cobrir, 10vendar tudo aquilo que os imbecilóides das 4 gerações anteriores não conseguiram. Haja fé.

14 de fevereiro de 2005

Razões Estupidificantes

eleitoralistas
Inevitavelmente acabo por apanhar com tempos de antena dos nossos brilhantes partidos políticos em campanha. Normalmente faço zapping para outros canais menos engajados, mas ontem fiquei surpreendido com as razões políticas de um deles.
Sabemos bem que a razão política para a existência de um partido é, em última análise, o “tacho”. Nem vale a pena perdermos muito tempo com isto, porque estaremos certamente todos de acordo. Mas o que é curioso é a embalagem que os partidos dão ao “tacho”, procurando convencer (não sei bem quem) que a sua proposta política é nobre em ideais, e em intenções de transformar esta província desgovernada em qualquer coisa mais parecida com um país. Alguns partidos são menos inteligentes que outros em dar um conteúdo relevante às suas propostas, e a prova disso é o Partido da Nova Democracia.
Se houvesse um prémio para a embalagem política com pior design seriam estes alarves peçonhentos a ganhá-lo. Uns gajos que vêm para os seus tempos de antena dizer que a sua principal preocupação são as mulheres que decidem deixar de trabalhar para ser mães, tentando convencer-me que estas abraçam a maternidade como se de uma profissão se tratasse, exigindo um salário mensal para que estas estejam em casa a desempenhar a sua função de mães só podem estar a achincalhar-me, e a todo o eleitorado.
Estes palermóides desprovidos de ideias arranjaram o pior eixo de campanha que seria possível imaginar. Então agora as mulheres que decidem fazer nenhum e desatam a ter filhos que nem coelhos devem ganhar um salário mensal? Já agora porque não lhes dar uma carteira profissional, como as meretrizes histéricas dos jornalistas? E porque não também um Sindicato das Domésticas com Filhos? Estou a imaginar estas gajas a fazerem greve para serem remuneradas por horas extraordinárias quando estão acordadas até tarde à espera que os filhos voltem da discoteca. Tenham juizinho...
Que os partidos políticos são, principalmente nos dias que correm, verdadeiros baldes de estrume onde a única coisa que muda é a côr do balde, já toda a gente sabe. Mas isso não lhes dá a liberdade de acharem que podem gozar com o eleitorado. Este partido de tias dondocas, sem qualquer talento nem rendimento, merecia mesmo uma tribo de somalis que aparentasse os futuros filhos de todas estas senhoras em campanha eleitoral.

13 de fevereiro de 2005

Razões Judaicas

judaismo
A história dos judeus tem sido descrita em muitos manuscritos eruditos como "algo que dá sempre merda". Mesmo os recentemente traduzidos pergaminhos do Mar Morto terminam com a palavra "cuidadinho". A ameaça da perseguição não foi compensada com a promessa de uma ocasional e simpática refeição com carne branca. O Novo Judaísmo retirará a ênfase do problema histórico para uma abordagem mais positiva. Até agora, ser os Eleitos só trouxe problemas. No Novo Judaísmo todos os eleitos receberão um pacote no valor de centenas de dólares em descontos em lojas da mesma rede.

Jon Stewart, in Nus de Pessoas Famosas

11 de fevereiro de 2005

A Razão dos Garçons

garcon
Ontem estava a jantar num restaurante e não pude deixar de reparar num indivíduo ruidoso e mal disposto que tratava o empregado de mesa de uma forma execrável. Protestava por tudo e por nada, mandava comida para dentro, pedia outro vinho alegando que o que tinham trazido estava estragado, e mais trinta por uma linha que aquela alimária inventava para moer a paciência ao empregado. Este último mantinha uma postura irrepreensível, comportando-se como um mordomo inglês num Titanic a adornar. Imperturbável. A situação toda fez-me pensar que eu não teria perfil para uma profissão daquelas. Só de pensar que ia apanhar com aquelas aventesmas que usam o "oh pxxt pxxt!" para chamar alguém à sua mesa já me tira do sério. Não falando nas barbaridades que estes tipos têm de aguentar diariamente: os gajos que para não baterem nas suas mulheres, vão descarregar os maus fígados nos garçons; as complicadinhas que querem o prato x mas com os acompanhamentos y e z num pratinho à parte, mas sem tocarem um no outro, para não se misturarem; os paizinhos com crianças mal educadas que guincham que nem macacos e cospem tudo num perímetro de 2 metros; os velhotes que levam uma hora a decifrar a ementa enquanto se vão babando para cima da toalha e do prato vazio. Não. Eu definitivamente não teria a paciência de um garçon. Provavelmente teria a mesma atitude do empregado de mesa de ontem à noite: ficaria imperturbável, pegava no bife que ele mandou para trás, e calmamente limparia com ele os bordos da sanita da casa de banho pública mais próxima, antes de o colocar na frigideira para o voltar a servir. Se calhar até foi o que ele fez ontem ao energúmeno. Aquele sorrisinho sacana enquanto o outro comia o bife devia querer significar alguma coisa...

9 de fevereiro de 2005

A Razão do Ciúme

ciumes

A 21 de Janeiro passado um homem dizimou a tiro a população da sua aldeia e suicidou-se, tendo deixado viva apenas uma habitante. São Xisto, uma das Aldeias de Portugal e Património Mundial, uma aldeia com 5 habitantes até 20 de Janeiro, passou a ter desde esse dia apenas 1 habitante, que fez as malinhas e abandonou a aldeia no dia seguinte. A razão disto tudo: cíume.

Recuemos umas horas antes do momento fatídico. Tudo parecia calmo na aldeia de 5 habitantes. Apenas 3 casinhas tinham as luzes acesas: o casa do casal Silva, a casa do casal Bastos, e a casa de Abília Pereira. Estes 5 habitantes viviam na aldeia desde sempre, e conviviam como uma verdadeira família, daquelas famílias onde todos se dão bem.

Mas naquele fim de tarde invernoso, Jesuíno Silva, de 60 anos andava mal disposto e desconfiado. Tinha começado a aparecer-lhe um furúnculo na têmpora direita e aquilo para ele só podia significar uma coisa: A Maria Alberta, sua vigorosa mulher com uns belos 64 anos, andava a encorná-lo. Ele não lhe conhecia tendências lésbicas, e o único homem na aldeia para além dele era o vizinho e amigo Felisberto Bastos, de 77 anos, com quem convivera toda a vida. Ali havia marosca, pensava Jesuíno acariciando o furúnculo. Ainda pensou em ter uma conversinha com a mulher do amigo, para tirar dúvidas. Mas quanto mais pensava nisso mais se enervava e, num impulso, pegou na arma desceu a rua, entrou na casa dos vizinhos Bastos e arrumou sumariamente, e sem abrir a boca, a mulher que o cumprimentou à porta e o homem que tentava puxar de uma arma para se defender. Depois regressou a casa, calmamente e em silêncio, aproximou-se da sua mulher e descarregou a sua caçadeira, deixando o último cartucho para si. Sentou-se na cama. Apontou a arma à base do queixo, e salpicou de cinzento e vermelho o tecto do quarto. Fim da história.



O ciúme é dos sentimentos mais destrutivos que conheço. E não vale a pena virem dizer-me que, em pequenas doses, até pode ser saudável. Seja em que formato fôr: dose, meia dose ou num pirezinho, o ciúme é um sentimento negativo e auto-alimentável. Se um dia sentirem ciúmes de alguém recomendo vivamente que visitem um especialista que vos trate da auto-estima, ou participem num corso carnavalesco no sambódromo do Rio de Janeiro, com o mínimo de indumentária possível s.f.f.



Nota: a história é verídica, mas os nomes foram alterados por respeito às vítimas.

8 de fevereiro de 2005

Razões Bacoco-Subversivas

politico

Andaram uns comediantes por aí uma noite destas a colar narizes de palhaço nos cartazes dos candidatos a primeiro ministro. Colaram-no no de Santana Lopes. Colaram-no no de Paulo Portas. Colaram-na no de Sócrates. Colaram-no no de Francisco Louçã. Mas curiosamente, no cartaz de Jerónimo de Sousa não tocaram. Ali ficou ele, com a sua trombinha laroca, intocável. Toda a gente achou que aquilo tinha sido obra dos comunistas, claro. Mas seria tudo muito evidente se assim fosse, não?

Existem várias versões para o que aconteceu naquela noite:

- O grupo anarquista que levou a cabo a acção não conseguiu encontrar o único cartaz de campanha do Jerónimo de Sousa.

- O grupo de extrema direita que colou os narizes achou que o Jerónimo já tinha cara de palhaço e desistiu de reforçar esta triste realidade.

- O grupo de donas de casa indignadas que colou os narizes procurou os cartazes de Carvalhas e não os encontrou.

- O grupo de kosovares ilegais enganou-se no número de narizes e colaram tudo antes de chegarem ao único cartaz de Jerónimo de Sousa.

- A tribo de somalis que colou os narizes nutre uma especial afeição especial pelo Jerónimo e por todos aqueles velhotes ex-revolucionários, de próstata titubeante.


Uma destas hipóteses está correcta... mas qual? Eu tenho cá as minhas suspeitas.