12 de janeiro de 2005

A Razão de Fátima

3pastorinhos

Em segundo lugar na nossa trilogia nacional, coladinha ao Fado, vem Fátima - a prova cabal que somos um país de crentes ingénuos que não aprendemos nada com o tipo que nos fundou (ver Razões Nacionalistas).

Algures em Maio de 1917, num prado verdejante perto de Fátima, três criancinhas apascentavam um rebanho de cabras quando uma delas descobre uma cultura estranha de cogumelos. Comida era coisa que não abundava naqueles tempos - os hipócritas menus vegetarianos da McDonalds estavam a 87 anos de distância - e o menor pastor decidiu guardar uns exemplares para partilhar com as suas irmãs e companheiras de pastoreio, mais tarde nesse dia. Quando comeram os cogumelos ao lanche as coisas começaram a mudar de figura e a assumir contornos surrealistas: as cabras desataram a ficar às cores, flutuando 3,5 cm acima do pasto, cantando "menina estás à janela"; o cão desatou a falar ucraniano recitando as obras completas de Dostoyevski; e uma senhora de branco parecida com a Bárbara Guimarães apareceu em cima de uma árvore, pendurada por um gajo de asas brancas, a balbuciar umas coisas querend0 dar um ar inteligente. O resto da história é do conhecimento público: um ditador inteligente; um povo a querer acreditar em qualquer coisa; e o Santana Lopes mais a Cinha Jardim a liderar uma turba de bandalhos do jet seis, de bordão numa mão e de BMW na outra a fazer peregrinações mediáticas a Fátima. Dos cogumelos nunca mais ninguém ouviu falar. Pudera!

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