21 de agosto de 2006

A Razão Imersa

banhos
Durante os próximos 30 dias a Razão vai estar em imersão em águas tépidas, no perfeito e absoluto relaxe. Longe dos funcionários públicos, dos políticos de pacotilha, dos coçadores de micose do fundo de desemprego e dos tugas em geral. Durante este período estará em preparação o lançamento deste blog em versão livro. É verdade, em Outubro já poderão pagar por aquilo que sempre tiveram à borla! Até lá vão poupando uns cobres. Afinal, o que é menos uma bejeca por dia até ao fim das vossas esgazeadas vidas?

20 de agosto de 2006

A Razão Cerebral


cerebral
Só conhecemos 10% das funções que o nosso cérebro desempenha.
Aparentemente, a função dos restantes 90% é impedir-nos de descobrir para que servem.

George Carlin

19 de agosto de 2006

A Razão de Muita Gente


A todos os que aqui chegam por acaso; a todos os que aqui chegam e não fazem caso; a todos os que apenas querem divertir-se; a todos os que se irritam solenemente; a todos os que andam à procura do orgasmo, das prostitutas na Madeira e dos sonhos com cenas esquisitas; a todos os que acham que o cliente tem sempre razão e a todos os que não; a todos os que vêm cá por uma ou outra razão, ou mesmo por razão nenhuma; a todos os que lêem sem comentar; a todos os que comentam sem ler; a todos os que comentam religiosamente; a todos os que têm razão; a todos os que andam à procura de razão, e a todos que não encontram razão alguma:
Bem hajam!
Graças a estes todos «A Razão tem sempre Cliente» ultrapassou, na passada semana, os 100.000 visitantes (foi uma ultrapassagem pela esquerda, com direito a pisca pisca, e totalmente dentro das regras de trânsito descritas no último Código de Estrada). Já não é qualquer estádio de futebol nacional que aguenta com 100.000 marmanjos. A Razão, construída sem subsídios estatais e sem o dinheiro dos contribuintes, aguentou com eles todos. Venham mais 100.000.

18 de agosto de 2006

A Razão Alheia


alheia
Alguém informado de que o universo se está a expandir e a contrair em pulsações de oitenta mil milhões de anos tem todo o direito de perguntar: «E o que é que eu tenho a ver com isso?»

Peter de Vries

17 de agosto de 2006

A Razão da Lista

lista
O Estado, essa abstracção incómoda, publica hoje mais uma lista de ovelhas negras. Desta feita, iremos ver nos jornais de amanhã os principais devedores à Segurança Social, cerca de um mês depois de ter sido publicada a lista dos principais devedores de impostos.
O que é curioso é que as listas só são feitas num sentido: não são listados os casos de dívidas do Estado aos contribuintes. Talvez porque os montantes das dívidas do Estado ultrapassem, em muito, o total das dívidas dos contribuíntes ao Estado.
Na linha deste bufanço estatal listado, sugiro que se publiquem também as seguintes listas:

- Lista das dívidas do Estado aos contribuintes.

- Lista das dívidas do Estado à Segurança Social.

- Lista das empresas contratadas pelo Estado que faliram por atraso de pagamento do próprio Estado.

- Lista dos pagamentos do Estado com mais atraso.

- Lista de assiduidade dos deputados da Assembleia da República.

- Lista de assiduidade dos funcionários públicos.

- Lista dos funcionários públicos com mais baixas.

- Lista dos funcionários públicos que fazem mais greves.

- Lista dos labregos que estão há mais tempo inscritos no fundo de desemprego.

Enquanto o Estado se comportar com um daqueles putos bufos que foram, em tempos, nossos colegas de escola, não prevejo que o estado da nação melhore. Nem com listas bufas.

16 de agosto de 2006

15 de agosto de 2006

A Razão do Contra

do contra

São contra os hotéis nas traseiras do sol posto; contra os quartos com vista para o saguão e aspiradores a arranharem a porta às 9 da manhã. São contra os taxistas amigos dos porteiros e as gorjetas de mão estendida; são contra os champôs oferecidos com cheiro a pastilha elástica; são contra os mini-bares fechados à chave, contra as alcatifas decoradas por traças e queimaduras de beatas; são contra as almofadas de esponja sintética com um chocolate de 0% de cacau em cima; são contra os hotéis com conferências de industriais do calçado e simpósios internacionais; são contra o comando de televisão com capa de plástico e sem pilhas, contra os canais eróticos pagos e, já que o tema é abordado, contra férias em frente à televisão. São contra os pequeno-almoços que acabam im-pre-te-ri-vel-men-te às dez da manhã, a não ser que tenham uma flor, café, doce e croissants de plástico, esses podem acabar agora mesmo. São contra a falta de escolha, o sumo de laranja concentrado e a «cozinha já fechou». São contra só haver cereais para crianças. São contra os pêlos de outras origens e outras espécies à solta em lençóis e banheiras. São contra a mesquinhez, «vão-me cobrar por uma rodela de limão?»; são contra portas que não fecham e janelas que não abrem. São contra o ar condicionado avariado precisamente no frio e cortinados que combinam com as colchas. São contra a desumanização dos números e não saber onde raio é que fica o quarto nº425, em que andar, em que ala e para que lado. São contra as wake-up-calls com tolerância de uma, duas horas. São, caros senhores burocratas, contra check-ins que exigem grupo sanguíneo, profissão da avó, curriculum e carta de recomendação. E pó, são contra o pó arqueológico já enraizado na espessura do abajour, dos móveis e dos próprios empregados. São contra o mau humor e os seus devotos praticantes. São contra canalizações-surpresa, ou seja, a torneira que abre a água do lavatório e autoclismos responsáveis por pequenos dilúvios. São contra centros de mesa com fruta que parece mesmo verdadeira. São contra aquela voz irritante e indetectável que fala 57 decibéis acima do normal e insiste em dizer «amazing!» de duas em duas palavras. São contra o fiambre da espessura de uma fatia de pão. São contra o mais ou menos e o «comme ci, comme ça». Contra a vida repetida e atabalhoada. São furiosos defensores de algo completamente diferente.
E eu sou completamente a favor deles.

Foto daqui.