7 de junho de 2006

A Razão das Obras

construtorcivil
O construtor civil e toda a turba que o precede (pedreiros, pintores, canalizadores e electricistas) são o paradigma da nossa nacionalidade. Não há classe de gente que represente tão bem os portugueses como esta turminha bacoca. Ouvi de um belga uma vez que «só se percebe a essência do povo português depois de se ler Eça e de se fazer obras em casa». Só lhe posso dar razão, apesar de os belgas também não serem flores que se cheirem...
Uma obra em Portugal é sempre a mesma coisa: é obra. No início é só facilidades e orçamentos baratos, no meio é só facilidades e orçamentos acrescidos, e no fim (se é que podemos usar esta palavra) é sempre um «do mal o menos» e um custo proibitivo.
O que determina o final de uma obra em Portugal não é, curiosamente, a conclusão do último acabamento. Não. Normalmente uma obra é dada como acabada quando se acaba o dinheiro ou a paciência de quem a paga. E portanto, tal como o próprio país, tudo fica inacabado e atabalhoadamente concluído. Uma espécie de Santana Lopismo vigente que contamina todo este sector.
O construtor civil e a sua turminha só percebem uma linguagem: desenvolveram desde cedo um sentimento masoquista que só lhes permite funcionar quando levam pontapés na boca. Tratá-los com profissionalismo é contribuir para que a obra dure 4 vezes mais tempo. Aplicando uns pontapés na boca aqui e ali a obra consegue concluir-se no dobro do tempo.
Sabendo disto, quando decidi fazer obras em casa, segui os conselhos de um amigo alemão e defini com o meu construtor civil um contrato penalizador. Ele definia um prazo para a obra e por cada dia que ele se atrasasse pagar-me-ia uma determinada quantia. Medida Santa: já vou no terceiro construtor, o dinheiro das penalizações já deu para fazer uma piscina que não estava inicialmente prevista, e pelos vistos vou passar umas férias à borla no Brasil à conta do gajo que está lá agora. Recomendo-vos. O Brasil, não as obras.

Publicado originalmente em Maio de 2005.

6 de junho de 2006

A Razão da Besta

besta
Uns tipos com muito tempo livre apareceram por aí muito excitadinhos a afirmar que hoje, dia 6 de Junho de 2006, é o Dia da Besta. Isto porque numericamente a data tem a configuração 666, normalmente associada a uma Besta qualquer.
Não fazendo ideia do significará hoje ser o Dia da Besta, gostaria de dedicar este post a todas as bestas que conheço, e em especial:

- Às bestas que governam o país diariamente e que enchem o bandulho à conta de contribuíntes que cada vez têm menos dinheiro para si porque cada vez pagam mais para alimentar um Estado que pouco faz por eles.

- Às bestas dos empresários nacionais que não fazem nada pelo país mas que gostam de exibir os seus fatinhos e comparar o tamanho das suas gravatas em eventos do tipo «Compra-me isso Portugal».

- Às bestas histéricas dos media que transformam diariamente o país num circo de celebridades pré-fabricadas e medíocres que almejam uma qualquer importância nacional que só têm nas suas cabecinhas loiras e ocas.

- Às bestas dos jornalistas que não percebem a diferença entre uma estrumeira e os artigos que diaria ou semanalmente escrevem, acreditando que chafurdar na merda lhes dá uma aura qualquer de intocáveis, e que só são intocáveis porque ninguém se lhes chega perto por causa do cheiro.

- Às bestas do serviço e do funcionalismo público, agarradas que nem lapas a direitos adquiridos e a regalias desajustadas da realidade do país.

- Às bestas da oposição, que confundem oposição com destruição e que, por isso mesmo, não conseguem por manifesta incapacidade desempenhar o papel que lhes está destinado.

- Às bestas dos tios e das tias, indigentes, tesos, improdutivos, mas com aquela pose ridícula de que são importantes para alguma coisa, e com uma pseudo-educação que os coloca, no seu miserável discernimento, acima de todos os outros.

A melhor maneira de comemorar o Dia da Besta é expôr todas estas alimárias, quanto mais não seja por um único dia, e dizer-lhes, nas trombas, que já os topamos. O ideal seria tatuar-lhes, com um ferro quente na testa, o número 666. Isso seria mesmo bestial.

5 de junho de 2006

A Razão Delinquente

delinquente
Li hoje que o Estado gasta 16,2 milhões de euros por ano para manter em funcionamento 12 centros educativos de jovens delinquentes. Dado que o número total identificado de jovens delinquentes em Portugal é de 271, isto significa que a cada menor cabe a generosa quantia de 4.981 euros por mês (13 vezes o ordenado mínimo nacional).
A todos vós que estudam e estudaram durante dezenas de anos para engrossarem a lista de desemprego com um canudo inútil na mão, um conselho: dediquem-se ao crime, e já agora iniciem também os vossos filhos, porque pelos vistos aqui na telenovela mexicana a coisa compensa. E o Estado recompensa.

4 de junho de 2006

A Razão Inicial

inicial
No início não existia nada. Então Deus disse: «Faça-se luz!» E fez-se luz. Continuou a não existir nada, mas pelo menos via-se tudo muito melhor.

Ellen DeGeneres

3 de junho de 2006

A Razão Reveladora

reveladora
A diferença entre Democracia e Ditadura é que na primeira vocês votam e acatam as ordens depois, e na segunda nem sequer perdem tempo a votar.

Charles Bukowski

2 de junho de 2006

A Razão Telefónica

telefonica
Gostava de saber se, quando levantamos o auscultador do telefone, existe um sinal de marcação individual para cada um de nós ou há um grande sinal de marcação mundial contínuo, onde vamos entrando e saindo? Estas coisas dão cabo de mim.

George Carlin

1 de junho de 2006

A Razão do Trabalho Infantil

trabalho infantil
Ficou toda a gente escandalizada quando o Expresso publicou recentemente uma entrevista onde mostrava criancinhas portuguesas a trabalhar árdua e ilegalmente numa fábrica que fornece as lojas Zara. É interessante esta polémica do trabalho infantil no Portugal civilizado. Ficamos muito chocados e aborrecidos quando seres humanos com uma idade física abaixo dos 15 anos são postos a trabalhar e a ganhar ordenados miseráveis. E o que dizer dos gajos que têm uma idade mental abaixo dos 5 anos e que diariamente trabalham na Assembleia da República a ganhar ordenados duplos e a acumular regalias pornográficas? Alguém se chateia com estes? Não. Nisto do trabalho infantil, como noutras muitas coisas, temos dois pesos e duas medidas.


Foto: José Sócrates explica aos membros do parlamento a técnica correcta para tirar macacos do nariz.