26 de setembro de 2005

A Razão do Blog do Candidato Político

candidato
Divirto-me à brava com a perspectiva que os políticos portugueses têm dos blogs. Alguém lhes disse, a dada altura das suas miseráveis carreiras, que os blogs eram o 5º Poder e estes desataram a abri-los na internet na vã esperança de agarrar mais um bocadinho de poder.
Naturalmente que os políticos estão a anos-luz de distância de perceber o que é um blog, quanto mais o modo como devem usá-lo.
Sabemos que estamos perante um blog de um candidato político quando:

Parece que estamos a ouvir um monólogo televisivo, daqueles paternalistas e feitos a olhar directo para a câmara, a fazer de conta que estão a falar para nós. Convém perceber que um político nunca fala directo para nós – fala directo para um boletim de voto com a cruzinha no partido dele.

Não há qualquer coerência linguística de post para post, porque na realidade aquilo é escrito por um monte de assessores diferentes pagos para alinhavar, sem sucesso, aquilo que um político raramente consegue fazer: um discurso coerente e inteligente.

O blog só tem um post, que é nada mais nada menos que um chorrilho de promessas estúpidas retiradas de um panfleto político.

O blog só tem um post porque o político decidiu fazer aquilo sem acessores e a sua capacidade de dizer/escrever aquilo que pretende fazer é tão limitada que ele se fica mesmo por ali. Temos aqui um caso típico.

O blog tem a duração do período de campanha eleitoral demonstrando que o político está ali só para vender o seu peixe e não para estabelecer uma relação directa com o seu eleitorado.

O blog não admite comentários porque a percepção democrática do político não admite críticas nem respostas, nem esclarecimentos adicionais ao cidadão comum. O político só admite respostas, esclarecimentos, ou críticas, de outro político e preferencialmente quando passa em directo na televisão.

Na minha perspectiva o blog de um candidato político deve ser encarado de duas formas: ou vamos lá visitar o gajo para o insultar à laia de medida profilática, ou não se vai lá e pronto.

24 de setembro de 2005

A Razão Atípica

atipica
O que inicialmente foi pensado como um post dedicado aos contadores de histórias, essas criaturas mágicas que não cessam de me surpreender, acabou por ser dedicado a uma das melhores contadoras de histórias que conheço.
Por ter uma forma um bocadinho diferente das razões habituais, este post deverá ser ouvido, em vez de lido. Ponham o som bem alto e deixem-se levar pela voz que vos conta as histórias. Esta é uma Razão atípica.

The Ugly One with the Jewels


The Hollywood Strangler


On the Way to Jerusalem


John Lilly


The Geographic North Pole

A Razão Perigosa

perigosa
É perigoso ter razão quando o Governo não a tem.

Voltaire

23 de setembro de 2005

Razões Inéditas

ineditas
Um ser asado foi visto a sobrevoar os céus portugueses. Apareceu assim de repente, sem perceber-se de onde vinha. Nos organismos de segurança nacional piscavam luzinhas vermelhas, os taradinhos dos OVNIS ficaram entumescidos, a Santa Igreja começou a afiar o fervor religioso, e a GNR coçou a bolsa testicular.
A TVI fez um especial na região onde alguns labregos afirmavam ter visto o ser voador: «parecia um abion» grunhia um, «aquilo é um condôr do demo» estrebuchava outra. Os testemunhos sucediam-se mas não se conseguiu nunca obter nenhuma imagem que atestasse a veracidade do fenómeno. Até que um dia ele aparece de microfone na mão e ar lixado em frente da Assembleia da República. Dizia que a fábrica onde trabalhava não tinha reaberto depois do Verão, que há 3 meses que não recebia ordenado, que o Estado não lhe dava qualquer ajuda, que tinha dois filhos para criar, que não conseguia pagar a casa onde vivia, que já lhe escasseava o dinheiro para comer.
Nesse dia ficámos todos a saber que ele era o Ente Alado, o super-herói nacional.

22 de setembro de 2005

A Razão no WC

WC
Não gosto de WC’s públicos por motivos vários, que estão normal e directamente relacionados com o facto do chão estar sempre molhado ou com o irritante facto de ter sempre um sítio que está queimado por beatas de tabaco (mas quem é que fuma num WC público??).
Quando tenho de lá ir perco sempre algum tempo com as mensagens atrás da porta. O grande mistério para mim é perceber quando é que elas são escritas.

Será... antes de?!! – aflitinhas aflitinhas, mas ainda com tempo para umas linhas!?
Será... durante?!! – não dá jeito, pela análise das mensagens, a altura a que estão escritas e a distância que compreende a porta da sanita deixa esta hipótese de lado.
Será...depois de?!! – não faz sentido que se queira lá estar, mais tempo que o necessário.

Com as mensagens de WC estamos perante de um acto (altamente) premeditado, porque temos de abrir a mala vasculhar lá dentro à procura de algo que escreva, ou então, entrar já com algo que escreva na mão... sendo que apenas a parte da mensagem tem alguma espontaneidade
E as mensagens são de temática variada:

Insultos escabrosos a outras mulheres pela honra amachucada:
- A Gonçalinda é uma P*** que se meteu com o meu Hilário Cosme.

Números de telefone, (talvez de alguma lésbica mais inibida para outra lésbica inibida):
- está sim?? Olhe... estou a ligar porque vi o seu número de telefone num WC público em Estarreja.... era para combinar um café, se puder ser, claro.
(Não me parece que seja uma forma inteligente de conhecer pessoas, mas enfim)

Menções ao tamanho da genitália:
- eu tenho uma **** do tamanho de uma betoneira
(sinceramente como mulher, não sei se é bom ou não)

Ou então eternas palavras de amor:
- Amo-te Hilário Cosme, para toda a nossa vida...
(O Hilário Cosme, nunca saberá desta prova de amor, porque ela foi feita no WC das mulheres e nem sei se o Hilário Cosme achará isto romântico, mas concerteza que gostará de saber que o seu nome foi perpetuado numa porta de WC principalmente se lá estiver escrito também qualquer coisa que fale do seu, soberbo, desempenho sexual.

Na verdade, adoro a escrita de casa de banho.
Ela informa, educa, distrai, diverte, tem raiva, sexo e intrigas. No fundo, tudo o que se quer num bom romance.

Um post da Ana do 2ºEsquerdo em exclusivo para a Razão.

21 de setembro de 2005

A Razão da Estrela da Rádio

estreladeradio
Video killed the radio star.
Sempre que me falam em globalização o meu cérebro vagueia invariavelmente por esta música simpática dos velhotes Buggles. Goste-se ou não a globalização matou, a dada altura, a maior parte do que era feito localmente. Este não é um post anti-globalização, até porque pessoalmente acho que esta nos tornou mais conscientes do mundo à nossa volta – por vezes demasiado conscientes para o meu gosto. Este é um post com o mesmo travozinho saudosista e atravessado pela mesma alegria adolescente e inconsciente da música original. É um post «que se lixe». Que se lixe já não termos os iogurtes Longa Vida; que se lixe a Pasta Medicinal Couto; que se lixe a Laranjina C; que se lixem programas de rádio que nos faziam acordar cedo como o Pão com Manteiga (de um rapazinho que hoje está indiciado por pedofilia); que se lixem os Rajás, os chocolates Regina e as Bombokas; que se lixem os Pilote, os Cavaleiros Andantes, e os Tintins coleccionáveis; que se lixem o ZX Spectrum e o Atari; que se lixem os Sanjo (esbirros nacionais dos All Star); que se lixem os pirulitos e as pastilhas Gorila. Que se lixem o Subbuteo, e o Ludo, e a sueca.
E viva a globalização! Normalizada, instantânea (sem juntar água), e em directo. Vivam as frutas gigantes e brilhantes a saber ao mesmo; viva a fast food que nos garante que tudo sabe igual em locais diferentes; viva a roupinha para betos, para dreads, para grunges, para góticos, e para surfistas; vivam os bifes de vaca lúcida e os frangos sem febre. E acima de tudo vivam os blogs, a expressão máxima e positiva daquilo que é a globalização – e que nos mostram diariamente que, apesar de tudo, encerramos em cada um de nós um imenso universo nunca globalizável.
Passem um grande e globalizante dia.